Uma intervenção na inevitabilidade de transformação


O futuro lançamento da SKR situado na Vila Ipojuca, bairro da zona oeste de São Paulo, recebeu destaque na revista Monolito edição especial dos 30 anos da SKR. O arquiteto do projeto, Héctor Vigliecca, escreveu um texto deste seu projeto em desenvolvimento.

Por Héctor Vigliecca

Pensar em engessar uma área urbana só tem sentido se essa área se configura com certa unidade histórica e com valores arquitetônicos intrínsecos, além de ter uma tipologia que representa a estrutura social familiar de uma época.

Formular uma transformação não pode se restringir apenas à leitura dos coeficientes estabelecidos no Plano Diretor. Este também estabelece conceitos que permitem complementações, formando uma jurisprudência que contribui para uma cultura de projeto.

No caso do projeto na Mota Pais - Vila Ipojuca, projetar transformações sem destruir a qualidade de escala interiorana, o equilíbrio de áreas verdes e a sensação de habitabilidade ainda presente neste bairro da zona oeste paulista não é tarefa fácil.

Portanto, acrescentar novos valores aos valores inatos ao lugar exige dedicação em comunhão com todos os envolvidos, principalmente dos arquitetos e da empresa incorporadora.

A fórmula é complexa e seus fatores têm pesos diferentes. O artifício é atingir uma intersecção equilibrada de todos eles: exigências legais do Plano Diretor, normativas de segurança, acréscimo de áreas verdes, insolação, vistas, parâmetros do mercado, definição de um produto. E, finalmente, do ponto de vista da construção da cidade, estabelecer uma configuração volumétrica em continuidade e solidariedade com a volumetria do entorno.

Acréscimo consciente: assim podemos resumir essa intervenção e estabelecer uma alternativa de modelo de ocupação que poderá ser um acontecimento.

Neste acréscimo permanente, cada etapa se configura em função de seu entorno em um contínuo concatenamento. Assim o futuro carregará o DNA do bairro original, evitando rupturas com individualismos formais.