Revista Monolito SKR | Nautilus


A dissolução dos limites através da consolidação dos limites
Por Héctor Vigliecca

Não consideramos um território apenas como suporte. Consideramos o território da intervenção como um continente único: do solo ao construído, inclusive, redesenhando uma nova topografia. Propõe-se uma redefinição das interfaces dos setores privados e condominiais que se entrelaçam e geram uma diferenciada formatação da privacidade.

Anula-se a ideia de lote e se cria um espaço central de idêntico valor espacial para todo o conjunto. Cada espaço privado se configura como um concatenamento, onde o espaço privado contíguo e os pátios internos são a transição e a conexão de cada unidade com o parque central.

 

Nautilus (1994/1997), São Paulo
Por Fernando Serapião 

Situado na praia da Baleia, no litoral norte paulista, este condomínio de veraneio é composto de duas glebas separadas, antes da construção, pela abertura da rodovia SP-55. Mais próxima do mar, junto à praia, fica a gleba menor, com cerca de 6 mil metros quadrados. Ali estão as áreas de lazer e apoio, com clube, quadra de tênis, piscina e jardim. Do outro lado da via, mais próxima às montanhas, está a porção maior (com 22 mil metros quadrados), que abriga 25 unidades residenciais.

A implantação das casas organizou o território em três setores. O primeiro deles é o vale central, longitudinal no sentido da montanha para o mar, que é destinado à área verde, existente ou plantada. As áreas sociais das casas são voltadas para o vale central, com caminhos e trilhas que conduzem o usuário em direção à praia. Se o vale organiza o fluxo de pedestres, o segundo setor organiza o trânsito de veículos. Trata-se de uma trama de vias que formam um H, cuja trave central conecta-se com a portaria principal, a entrada dos carros, situada na lateral do lote.

Por fim, o terceiro setor que organiza o território é destinado às áreas privativas, posicionadas entre as duas áreas de fluxo. As unidades são divididas em duas partes, cortadas pelo eixo de veículos: enquanto na área maior e mais densa, aberta para o vale central, ficam as casas propriamente ditas, junto às divisas laterais estão as garagens, que definem o desenho do perímetro da ocupação.

As 25 casas foram separadas em dois bolsões: mais próximo ao mar estão 15 casas; mais ao fundo, dez unidades junto à mata nativa. A implantação dos bolsões formam renques curvos de casas, que orientam as unidades para o mar.

Idênticas, as casas possuem 266 metros quadrados e formato em L. Enquanto o trecho mais próximo à via interna de veículos é mais compartimentado, com serviços no térreo e dormitório no superior, a porção de cada casa voltada para o vale central é mais aberta, com área de lazer e estar, marcada por cobertura estruturada com eucalipto roliço.  

Condomínio Nautilus
Local São Sebastião, SP
Data de início do projeto 1994
Data de término da obra 1997
Área do terreno 27.840 m²
Área construída 11.600 m²
Área do clube Nautilus 6.800 m²
Arquitetura Bruno Padovano e Héctor Vigliecca (autores); Luciene Quel, Marcelo Sacco, Mônica Meshulam, Daniela Junqueira, Emiliano Homrich (equipe)
Paisagismo Jamil José Kfouri
Estrutura Archie Searby (madeira), MCP/Pallet (concreto)
Fundações Fundacta
Instalações Fischamann e Nachim
Incorporação e Construção SKR
Publicações Projeto Design, n⁰ 213. São Paulo: Arco Editorial, 1997
Fotos Leonardo Finotti