Olimpíadas Rio 2016: Parque Radical / Vigliecca & Associados


O Estádio Olímpico de Canoagem Slalom é considerado a estrutura de maior complexidade da RIO 2016. De autoria do escritório de arquitetura Vigliecca & Associados com consultoria da Whitewater Parks International, o projeto teve como objetivo criar um dos melhores canais de competição de Canoagem Slalom do mundo e um dos mais econômicos para se operar em legado. Trata-se do primeiro curso artificial de águas bravas do Brasil. 

A obrigatoriedade da utilização de um circuito artificial para a prática da Canoagem Slalom nos Jogos teve início na Olimpíada de Sydney, em 2000, diante da necessidade de se estabelecer parâmetros para o esporte.

Em vez de se opor à difícil topografia do local, o projeto do Estádio Olímpico de Canoagem tira partido dela. O equipamento foi implantado na área de menor declividade do terreno a fim de equilibrar o movimento de terra. Já as arquibancadas, que serão instaladas para os Jogos Olímpicos, se adaptam à inclinação natural do terreno. No legado, essa inclinação funcionará como “arquibancada natural” do parque.

Um dos principais desafios foi criar corredeiras rápidas, com inclinação ideal para o esporte. A grande questão é que, para se obter corredeiras com essas características, seria necessário bombear água de uma altura aproximada de 10 m, o que oneraria excessivamente a operação.  

Com o intuito de atender aos Jogos e também garantir o uso sustentável em legado, o Vigliecca & Associados em conjunto com a Whitewater Parks fez uma análise minuciosa para viabilizar o bombeamento da água para a menor altura possível e ainda assim ter corredeiras de qualidade. A solução, já utilizada na Olimpíada de Londres 2012, foi aprimorada e refinada. Essa análise incluiu testes hidráulicos realizados na Universidade de Praga, referência em pesquisas na área, para avaliar o comportamento da água em corredeiras e em obstáculos móveis projetados. A análise foi feita por meio de modelos hidráulicos tridimensionais e uma maquete hidráulica de grandes dimensões, que levaram a um detalhamento profundo das superfícies e dos obstáculos. 

Esses estudos também comprovaram que seria possível operar todo o sistema com menos água do que o previsto. Isso gerou economia de água e contribui para a redução da obra, como um todo.

O Estádio Olímpico de Canoagem Slalom conta com dois canais: um de competição de 280 m e um de treinamento de 210 m. A profundidade varia de 1,80 m a 2,40 m. A estrutura dos canais de competição é em concreto pré-moldado, o que permite maior controle de qualidade sobre o acabamento do concreto. O lago/reservatório, com capacidade de 25.000 m³, a casa de bombas e as piscinas de largada são em concreto armado in loco. Os obstáculos foram fixados em trilhos concretados na laje de fundo dos canais.

O local será adaptado, em legado, para uso recreativo. Estruturas de segurança e decks flutuantes serão instalados no lago a fim de restringir o acesso da população às áreas de maiores profundidades e áreas técnicas. No Parque Radical, ainda está prevista a implantação da Clínica da Família e Nave do Conhecimento. A edificação que servirá de apoio às competições de Canoagem Slalom e BMX nos Jogos deverá ser utilizada, em legado, para o desenvolvimento de atividades de educação ambiental e para sediar a administração do parque e festas da comunidade.

Centro Olímpico de BMX

O objetivo foi criar a pista de BMX mais atualizada e desafiadora da atualidade. O projeto foi elaborado pelo escritório de arquitetura Vigliecca & Associados com consultoria da empresa Elite Trax, a mesma que construiu a pista de BMX dos Jogos Olímpicos de Pequim (2008), quando o esporte estreou na Olimpíada, e a pista dos Jogos Pan-Americanos de Toronto (2015). 

A pista de BMX dos Jogos Rio 2016 foi projetada considerando a situação topográfica e os ventos predominantes, características que podem interferir na performance dos atletas, e confeccionada em saibro com asfalto de massa extremamente fina nas curvas. As ondulações foram colocadas com intervalos de 10 metros para dar opções de percurso ao atleta, como saltar de 10 metros em 10 metros com velocidade maior ou seguir o traçado sempre no solo, com velocidade menor. A pista oferece percursos de 350 metros (circuito feminino) e 400 metros (circuito masculino) e ocupa uma área de cerca de 4.000 m².

A rampa de largada, diferentemente de outras pistas de BMX pelo mundo, foi construída em caráter permanente com grande impacto visual, forrada de madeira e acabamentos como adesivos antiderrapantes.

Entre as pistas foi utilizada grama sintética em áreas íngremes, para evitar a erosão. Ao redor da instalação, em áreas de suporte, foi utilizada grama natural. O circuito contará com uma arquibancada temporária com 7.500 lugares nos Jogos Olímpicos. Em legado, a pista profissional de BMX será mantida, mas com uso restrito a atletas. Para atender ao público, será criada uma pista para iniciantes.

Parque Olímpico de Mountain Bike

Vigliecca & Associados realizou o projeto de infraestrutura do Parque Olímpico de Mountain Bike, que abrange conexões do local com outras áreas do Parque Olímpico de Deodoro, o fluxo de pessoas, a interação com a pista, a definição das áreas de overlay e back of house, o estudo das arquibancadas e o circuito inicial da pista (largada/chegada). A pista foi elaborada com consultoria do ex-ciclista sul-africano Nick Floros e do especialista em construção de pistas de Mountain Bike, Rogério Bernardes. 

O circuito de Mountain Bike tem 4,9 km de extensão e está localizado em uma área de 19,2 mil m². A parte da pista que está em terreno de propriedade do Exército será desmontada; já a outra parcela, cedida pelo Exército à Prefeitura do Rio de Janeiro, será reconfigurada para se tornar um minicircuito de Mountain Bike.

Fonte: Archdaily