Debate Microarquitetura


Cena da família moderna em casa: enquanto a mãe assiste a tevê na cozinha, a filha conversa com as amigas via smartphone trancada no seu quarto, o filho caçula diverte-se no videogame na sala e o pai, no escritório, paga contas pela internet pelo notebook. Sinal dos tempos, as famílias não convivem mais nem mesmo dentro de suas próprias casas.


Este dilema gerou o mote para a criação de um novo conceito de decoração e que promete revolucionar o design de interiores: a microarquitetura. A proposta, desenvolvida pelo designer Marcus Ferreira, dono da loja Decameron, em São Paulo, pretende elaborar, através do mobiliário, novos espaços de convivência humana dentro das residências, lojas e de áreas públicas.
O tema foi debatido no dia 27/08/2015, durante encontro realizado na loja paulistana e promovido pela construtora SKR.


Na linha de frente do painel e diante de uma plateia de jornalistas, arquitetos e designers, estiveram presentes Silvio Kozuchowicz, CEO da SKR Construtora, o arquiteto Angelo Bucci, do escritório SPBR, Thiago Rodrigues, do SuperLimão Studio e Marcus Ferreira, proprietário e designer chefe da Decameron Galeria. O debate foi mediado pelo jornalista e editor da revista Monolito, Fernando Serapião.


Novos hábitos


Marcus Ferreira destacou que o desenvolvimento da linha de móveis para esta coleção levou em consideração não apenas o design, mas o novo comportamento das famílias nos dias de hoje. “Foi um estudo muito mais comportamental. O horário do jantar, por exemplo, com todas as pessoas juntas à mesa é um hábito que quase não existe mais. Procuramos recuperar isso de reunir todos no mesmo ambiente criando pontos de atração na casa, independente do que elas estão fazendo”, disse o designer.
Thiago Rodrigues mencionou a nova função no designer de interiores neste processo. “Procuramos estimular sensações e reações nas pessoas com os ambientes criados, seja em um projeto residencial ou comercial”, afirmou ele.


E Angelo Bucci fez uma pensata sobre como a questão comportamental das pessoas e famílias podem ser úteis aos arquitetos. “Gosto destas mudanças de hábitos (das pessoas) porque estabelece com a nossa atividade uma relação com o tempo”.


Por fim, Silvio Kozuchowicz enalteceu a visão de sua empresa em unir um time multidisciplinar em torno dos seus projetos. “O desenvolvimento imobiliário, a arquitetura numa segunda escala, o design de interiores numa terceira visão, todos colaboram para se criar um impacto positivo na vida das pessoas. Esta é uma relação que não pode e nem deve ser desconexa”, concluiu.